O que podemos esperar do futuro das entregas?

A logística é parte estratégica dos negócios. Com isso, seus processos precisam ser aprimorados constantemente, acompanhando a evolução e competitividade do mercado. Para termos uma ideia, desde 2011, o setor logístico é o que tem o crescimento mais acelerado. Isso demonstra a importância que esse ramo tem para as empresas.

Já falamos sobre o momento em que o setor de transportes e armazenamento de cargas vive, regido pela logística 4.0. A partir dela e considerando os avanços tecnológicos, podemos esperar algumas mudanças no modo como a entrega de mercadorias será feita no futuro – não tão distante. Também, desmistificamos algumas ideias do futuro da logística.

Drones

Há alguns anos, a entrega usando drones foi idealizada e testada pela Amazon. O objetivo é reduzir o custo de transporte e o tempo até o produto chegar ao cliente. O Ifood também, neste ano, testou essa modalidade para entregar os pedidos da plataforma, em Campinas (SP).

Facilmente, imaginamos que daqui um tempo os drones entregarão tudo, em qualquer local e a qualquer momento. Mas, não é bem assim.

O uso de drones possui restrições. A área de cobertura do ponto de origem ao destino não é tão abrangente. O tempo de autonomia também. Além disso, não é qualquer produto que os drones suportam. Tamanho, peso e garantia de acomodação da mercadoria para ser transportada com segurança são determinantes.

Ainda, há a burocracia para utilizar o espaço aéreo. A ANAC precisa autorizar a operação e a legislação exige que um operador acompanhe o trajeto para que possa intervir no transporte, em casos de necessidade.

Por enquanto, as liberações da ANAC foram destinadas apenas para testes. Mesmo assim é um grande passo.

Essa modalidade se tornar comum dentro da próxima década é o que esperamos. Para algumas operações específicas e produtos, a entrega com drones gerará mais rapidez e praticidade.

Pessoas ainda serão necessárias

Com o cenário dos drones, podemos perceber que o papo de que as pessoas serão dispensáveis nas operações não passa realmente de mito. Embora consigamos imaginar formas futurísticas de entregas, as coisas não serão inteiramente autônomas.

Ainda existirá a necessidade de caminhões, operadores e motoristas. Claro, com a implementação de ferramentas tecnológicas para otimizar os processos logísticos, as intermediações humanas serão menores, mas não eliminadas. Assim como já está acontece.

O que mudará em relação às pessoas é a busca constante por conhecimento. A logística é inovação e tecnologia ligadas globalmente. Estar atento ao que acontece nos mercados, ter visão própria de mundo e capacidade de se reinventar serão mais importantes que diplomas para quem atua nesse setor.

Comunicação entre máquinas

A Internet das Coisas (IoT) já é realidade em diversas operações, não somente na logística. É uma tecnologia que permite a conexão entre diversos dispositivos eletrônicos.

Por exemplo, controlar os eletrodomésticos e eletrônicos dentro de casa, operar máquinas ou objetos a partir de um smartphone.

Na logística, a IoT tem papel de conectar os processos e o acompanhamento em tempo real das mercadorias – desde o momento que saem do fornecedor até a chegada ao destino final, passando pelo controle no estoque.
Com isso, falhas e problemas são identificados rapidamente e também será possível prever problemas e cenários desafiadores a partir dessa evolução tecnológica.

Veículos autônomos

Embora não seja novidade em outros países, que vêm testando vários protótipos, os veículos autônomos são inviáveis no Brasil – ao menos em futuro próximo. Questões econômicas e jurídicas são desafios maiores que a própria técnica para desenvolver o produto.

Começamos pelo fato de que não há no mundo legislação voltada para esses veículos. Apenas regulamentos para teste.
Precisamos ter em mente que estamos falando sobre trânsito, um dos meios que mais mata pessoas no mundo todo. A segurança de todos nas vidas é a prioridade. Assim, se houver acidente com o veículo autônomo, quem será responsabilizado?

Foi uma situação assim que aconteceu com a Uber. Infelizmente, um dos veículos experimentais da empresa atropelou e matou um ciclista. Isso acendeu o alerta da necessidade de regulamentação. Foi tão grave que a Uber voltou aos testes apenas um ano após o ocorrido.

No entanto, ainda nada mudou a respeito da legislação.

Outro ponto é o custo que empresas terão de investir em um artigo que não há certeza de boa aceitação pelo consumidor.

No ano passado, a Associação Automobilística Americana realizou uma pesquisa que mostrou que apenas cerca de 12% dos americanos confiariam em um veículo autônomo. Isso que nem se sabe ainda qual seria o valor para adquirir esses modelos. Ou seja, ainda é um cenário muito incerto e com insegurança por parte do público.

Transfira o cenário para o Brasil. Normalmente, já temos os veículos mais caros do mundo – em relação ao poder de compra dos brasileiros. Agora, adicione ao custo dos veículos a modalidade elétrica, que encarece ainda mais. Ou seja, o valor dos veículos autônomos em nosso país será altíssimo. Quem terá condições de pagar?

O que podemos esperar de mais realista são os caminhões semiautônomos. Com a tecnologia implantada no sistema de gerenciamento de condução, o transporte será mais econômico, ágil e seguro. Esses modelos possuem integração com o trânsito, como com os semáforos, por exemplo, otimizando o trajeto.

Mais, ainda assim, esses caminhões exigem a presença de um motorista. Ele precisará entrar em ação apenas em situações específicas ou de emergência. No restante das ações, como acelerar, frear e trocar de marcha, serão feitas por automação.

Impressão 3D

Grande parte dos lojistas no mundo já esperam que essa prática seja adotada pelos operadores logísticos. Mas, ainda não é comum.

A ideia é não trabalhar com produção em larga escala, mas, sim, produzir o produto comprado pelo cliente diretamente no centro de distribuição. Assim, ele é produzido e enviado para transporte no mesmo local de maneira rápida, sem entremeios.

Essa estratégia visa economizar tempo e distância, além de aumentar a capacidade de customização para os clientes.

Também, a armazenagem desses produtos passa a ser digital. Dispensando o espaço físico.

Porém, ainda é necessário regulamentações para que o processo possa ser colocado em prática pelas empresas de logística.

Armazéns autônomos

A IoT e a impressão 3D vão afetar também a armazenagem. Será possível ter mais eficiência nos processos e automação da movimentação das mercadorias no armazém.

É uma tecnologia aplicada para acompanhar o comportamento do consumidor, que esperará suas entregas cada vez mais rápidas e não lidarão bem com atrasos.

Inclusive, buscando a satisfação desse novo perfil de consumidor, há a entrega no mesmo dia (some day delivey), que já é praticada por algumas lojas e será uma modalidade comum.

Por isso, os processos precisam visar a maior rapidez e eficácia possível, com a automação essa otimização é possível. O serviço de armazenagem precisa estar preparado tecnologicamente e deve ser pensado de forma estratégica.

Em resumo, a coleta e tratamento de informações, integração pela internet das coisas, novas ferramentas tecnológicas e o acompanhamento de operações em tempo real deixarão a logística mais dinâmica e eficiente.

É o efeito direto da logística 4.0, com produção apenas do necessário, personalizada, armazenamento inteligente (ou, até mesmo, inexistente) e distribuição ágil e eficaz.

Agora, nos resta aguardar e irmos nos aprimorando com os avanços da tecnologia.



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